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29 de junho de 2014

O Mundo Segundo os Brasileiros - Toronto


"O Mundo Segundo os Brasileiros" é uma série que percorre os principais roteiros turísticos do mundo, lugares muitas vezes longínquos, pouco explorados e repletos de descobertas e contrastes. África, Ásia, Oceania, Europa e Américas: a cada destino uma nova aventura, narrada por personagens reais em tom documental e quase autobiográfico.

A cada novo episódio, as várias facetas de uma mesma cidade, com dicas, roteiros, histórias e revelações emocionantes.

Abaixo, o episódio da cidade de Toronto, ON.


24 de setembro de 2013

As coisas são um pouco diferentes no Canadá...




26 de julho de 2012

A equipe olímpica canadense

12 de maio de 2012

“Sh*t Canadians Say, Eh?”




Cada cultura tem o seu esteriótipo, e com os canadenses não é diferente.  “Sh*t Canadians Say, Eh?” mostra um rapaz falando frases como “have you seen my toque?” (“você viu minha toca?” em inglês) ou “do you get two loonies for a toonie” (“você troca dois loonies por um toonie”, como são popularmente chamadas as moedas de um e dois dólares no país). Também são mostradas cenas de um “cotidiano canadense”, como o consumo de maple syrup (xarope parecido com o mel de abelha, extraído de uma árvore típica no Canadá) que no clip é colocado não só na panqueca, e torcedores fanáticos por hockey (o esporte mais popular do país). 

Mas não podemos esquecer que é uma brincadeira, e o exagero faz parte!

11 de maio de 2012

Coisas que brasileiros ouvem no exterior

18 de janeiro de 2012

Uma manhã de segunda em Montreal

Vídeo ótimo para aqueles que, como eu, nunca visitaram Montreal no inverno

 

13 de janeiro de 2012

Expressões quebecoises em imagens

Falar muito do que mal conhece
Dormir mal

Ter dinheiro
Pegar uma cadeira
É brega
Ter medo de tudo
Estar desanimado, deprimido
Estar feliz

Buscar novos amores
Se preparar para enfrentar dificuldades
Fonte: TV5 Monde

2 de janeiro de 2012

Como sobreviver morando em outro país

Texto extraído do site OiToronto.ca
Por Fernanda Thiesen

Bart é um escritor vivendo na Coréia do Norte. Diferente de muitos brasileiros que aplicaram para o visto de residência permanente no Canadá, ele não parece ter escolhido um local fixo para viver, mas tem muito a dizer sobre como é morar em outro país e viver longe da família.
http://www.flickr.com/photos/linneberg/
Permita-se sentir falta de coisas: comidas, roupas, ser capaz de se comunicar facilmente. Não se permita sentir falta de: pensar pequeno, ficar entediado, sentir-se preso.
Aprenda o idioma, mas não se chateie se for difícil e levar tempo para dominá-lo. Aproveite o período em que você pode se sentar em cafés e restaurantes e não prestar atenção nas conversas fúteis de outras pessoas. É muito mais fácil quando não se entende nada.
Acostume-se com o fato de que os problemas do país não são realmente seus. Você não pode mudá-los, então é mais fácil aceitá-los como são — fora de seu controle. Não se preocupe, é fácil se acostumar com esse sentimento. Na verdade, é reconfortante.
Use muito a Internet e veja ela se tornar até mais maravilhosa do que já é. Com um pouco de improviso, você consegue usufruir de praticamente tudo o que consumia em casa — música, filmes, livros, comidas, roupas. Quase tudo. Onde eu vivo, os estrangeiros falam muito de sentirem falta de um bom abacate. Mas isso dá pra superar.
Se você tiver um telefone, ligue para a sua família toda semana. Isso te ajudará a se sentir normal, e também os impedirá de enviarem emails reclamando da sua ausência.
Conforte-se em saber que uma vez cruzadas as fronteiras do seu país, você já começou a ganhar. Se você conseguir ficar fora durante pelo menos um ano, então existem grande chances de você ficar por aí, mundo afora, indefinidamente. Eu passei minhas primeiras duas décadas nos EUA. Isso equivale a 1/4 de uma vida normal em um mesmo país, o que é mais do que suficiente. A partir do momento em que você coloca a inércia de morar fora em movimento, quanto mais tempo você ficar fora, mais fácil será continuar.
Saiba que a maioria dos lugares no mundo onde você poderia morar por qualquer período possui um aeroporto a aproximadamente um dia de distância. Do aeroporto seria possível chegar em casa em mais um dia. Você pode morar do outro lado do mundo e, se precisar voltar para casa, provavelmente chegará em não mais do que dois dias.
Esqueça o lugar de onde você veio, mas não esqueça das pessoas. Seus amigos não esquecerão de você. Eles irão viver suas vidas sem você, e talvez até guardem algum rancor, mas irão ouvir suas histórias se elas forem boas.
Naqueles dias em que uma coisa simples poderia facilmente ser resolvida se você estivesse em casa, e você se sentir frustrado, e começar a realmente desejar que pudesse voltar para casa — talvez você devesse voltar. Talvez você não pertença ao mundo dessa forma. São as frustrações que mais nos ensinam coisas. Mas se você for muito durão, ou orgulhoso, ou teimoso para isso, então tente se lembrar que todo dia que você vive em um país estrangeiro, você fica melhor nisso. Cada dia que você vive fora, você aprende algo — sobre si próprio, sobre o país em que vive, e sobre como sempre há mais de um jeito de ver as coisas.
Namore com alguém do país em que você está vivendo. Ou não. Não há uma regra sobre isso. Com base na experiência de meus amigos estrangeiros, é algo que tem causado resultados variados. Quase sempre a relação melhora o entendimento do país e a facilidade com o idioma. E também, sem exceções, causa grandes frustrações e problemas. Vá em frente a seu próprio risco.
Invista em amizades duradouras. Viver junto em um local estranho cria uma forte ligação entre as pessoas. O único problema em fazer amigos é que eles, assim como você, também estão apostando no estilo de vida itinerante, e não vai demorar muito para que eles sigam para outro lugar.
Tente manter sua cabeça no lugar. Viver em um outro país pode fazer com que você se esqueça quem realmente é e de onde veio. Talvez essa até tenha sido a sua intenção. Talvez isso seja uma grande parte disso tudo. Mas ninguém jamais escapa completamente de onde veio, nem de quem é, e quando você aceitar isso, poderá se curtir muito mais. É um estilo de vida bom e interessante, se você conseguir mantê-lo sob controle.
How To Survive Living In A Foreign Country
Por Bart Schaneman — ThoughtCatalog.com

28 de outubro de 2011

Novos imigrantes e grupos minoritários são menos favoráveis à imigração no Canadá

Extraído do site OiToronto, 24/10/2011, por Marcio Rollemberg


Um estudo feito pelo Institute for Research on Public Policy constatou que imigrantes recém-chegados ao Canadá e pessoas que fazem parte de um grupo minoritário são quem mais se opõem à vinda de novos imigrantes ao país. A pesquisa também constatou que de todas as províncias do Canadá, Ontário é a menos favorável à imigração.




No ano passado, cerca de 92 mil pessoas imigraram para Toronto, a grande maioria vinda das Filipinas. Uma delas foi a nutricionista Olga Flores, que atualmente trabalha como caixa de um supermercado e ainda não arranjou emprego em sua área de estudo. “Tem muita gente vivendo em Toronto e isso termina prejudicando o mercado de trabalho. Apesar do Canadá ser um dos poucos países que aceitam imigrantes, quando chegamos aqui nos deparamos com uma outra realidade”, disse ela, ressaltando que se não arranjar nenhum emprego no campo de nutrição até o ano que vem, pretende ir para a China.
Um novo estudo publicado na última terça-feira (18/10) mostra que novos imigrantes, aposentados, pessoas com educação secundária ou inferior e simpatizantes do partido Conservador são menos abertos à imigração do que aqueles que moram no país há mais tempo e se identificam com o multiculturalismo. O Institute for Research on Public Policyconstatou que pessoas nascidas em países em desenvolvimento costumam ter valores sociais conservadores, e isso explica o fato de serem menos favoráveis à imigração.
De acordo com um questionário aplicado em 2010, 82% dos canadenses disseram que a imigração tem um impacto positivo na economia. No entanto, a mesma pesquisa mostrou que somente 68% dos desempregados concordaram que imigrantes beneficiam a economia do país.
A pesquisa mostrou ainda que indivíduos com diploma universitário são mais favoráveis à imigração. Quase 70% dos entrevistados com nível superior disseram que concordam com a vinda de novos imigrantes ao Canadá, contra apenas 43% dos que possuem ensino secundário ou inferior.

Maioria ainda é a favor de novos imigrantes, mas querem pessoas mais qualificadas

Apesar de novos imigrantes e grupos minoritários serem menos abertos à imigração, comparados a quem vive no Canadá há mais tempo, a maioria ainda é a favor, desde que haja um maior controle na qualidade de quem é aceito para viver no país. Mesmo com a recessão econômica e ameaças de terrorismo, o estudo mostrou que 58% dos canadenses nascidos no país concordam com a vinda de mais imigrantes, contra 54.9% entre recém-chegados e minorias visíveis.
Quando o pernambucano Fábio Melo chegou ao Canadá em 2004, se deparou com um país que oferecia grandes oportunidades de trabalho para o imigrante. Mas, segundo ele, hoje os tempos são outros. “Veio a crise e com a desvalorização do dólar as pessoas foram perdendo seus empregos e ficando com ‘medo’ da concorrência”, disse ele ao OiToronto.
Fábio trabalha como biólogo e afirma que quem já está ingressado no mercado de trabalho canadense e bem adaptado ao país não tem motivos para se sentir excluído, mas confessa que a explosão do multiculturalismo em Toronto termina gerando uma desorganização que afeta a todos. “Eu sou a favor de imigrantes, mas sou contra aqueles que vêm e não se encaixam na cultura, no modo de vida canadense. Não vão para uma escola aprender inglês e continuam nas suas ‘comunidades’ vivendo uma vida paralela, falando uma língua paralela, alheio ao que acontece ao seu redor”, ressaltou o pernambucano.
A bartender carioca Jane Riccioppo concorda com Fábio. Morando no Canadá há seis anos, Jane afirma que não vê nenhum problema na vinda de mais imigrantes ao país, mas acredita que é preciso um pouco de controle por parte do governo para que a população que reside em Toronto não seja prejudicada. “Eu sou a favor de uma imigração selecionada. Imigrantes que se encaixem nas necessidades do país, não esquecendo os refugiados”, disse ela.
Um outro dado interessante da pesquisa mostra que Ontário é a província que menos concorda com a imigração no país, com 53.5% dos entrevistados sendo favoráveis à entrada de novos imigrantes. As províncias das Pradarias são quem mais aprova a imigração (Saskatchewan e Manitoba – 62.8%), seguidas do Atlântico (Terra Nova e Labrador, Ilha do Príncipe Eduardo, Nova Brunswick e Nova Escócia – 62.5%), Quebec (61.8%), Colúmbia Britânica (57.4%) e Alberta (54.4%).

14 de outubro de 2011

Os valores comuns da sociedade quebecoise


Valores a serem compartilhados

Quebec, terra hospitaleira de muitos imigrantes vindos do mundo todo, é uma sociedade fundamentada em valores em comum que modelam sua própria identidade. A língua francesa é a expressão desse aspecto, além de ser a língua oficial do Quebec. Viver no Quebec é viver em francês. Liberdade de expressão, respeito das diferenças, livre escolha dos indivíduos, direito à igualdade a todos, eis aqui os valores partilhados por
cidadãos e cidadãs quebequenses, que têm o orgulho de pertencer a uma sociedade aberta que preza a riqueza proporcionada pela diversidade.

Para conhecer os valores comuns da sociedade quebecoise, clique na imagem abaixo:




17 de setembro de 2011

Que música estão ouvindo em Montreal?


13 de setembro de 2011

O jeitinho brasileiro no Canadá

Texto escrito por Bruno Vompean .Via OiToronto.ca


Como você explicaria a um canadense o significado de “jeitinho brasileiro”? Por mais difícil que seja articular uma definição, este tipo de comportamento faz parte do nosso dia-a-dia e nós o conhecemos bem. Para o brasileiro adepto do jeitinho, não há problema que não tenha solução: o estacionamento é só para mensalistas? Dê um trocado para o frentista. Levou multa de velocidade? Pague um “café” para o policial. É demorada a renovação de um documento? Invoque o nome de uma autoridade para o atendente do Detran. Funciona como passe de mágica.


Há algum tempo que venho pensando sobre o fenômeno antropológico que é o jeitinho brasileiro, e ao observar o comportamento de alguns conterrâneos que passaram o verão aqui em Toronto, pude chegar às conclusões que divido com vocês agora. Mas antes de mais nada, quero deixar claro que o famoso jeitinho, na verdade, não tem nacionalidade específica e existe em qualquer sociedade cujo quadro sócio-político coage pelo menos parte da população. Ainda assim, tomarei a liberdade de discutir o que aprendi sobre o jeitinho brasileiro aqui no Canadá. E não se preocupe, a conclusão desse post não será que não existe jeitinho no Canadá, tampouco que a versão canadense do jeitinho é zelar pela honestidade ou algo assim, como diria o estrangeiro que sustenta um olhar romântico.


Não é difícil imaginar as condições que deram origem ao jeitinho. Quando parte da população se sente incapacitada pelo status quo, ela procura maneiras alternativas de conseguir aquilo de que necessita, ou seja, ela dá um jeitinho. Não é à toa então que isso seja comum num país com tamanha desigualdade social como o Brasil. No entanto, hoje em dia o jeitinho não é mais um modo de agir exclusivo dos oprimidos, e se tornou parte do cotidiano de qualquer brasileiro que procura levar vantagem em alguma situação. De acordo com o jornalista e cientista político Leonardo Sakamoto, “jeitinho brasileiro” é uma “vertente simpática da corrupção e do apadrinhamento”. Ainda assim, muitos consideram o jeitinho uma verdadeira virtude do brasileiro, que demonstra criatividade e improvisação ao driblar normas e convenções sociais para encontrar alguma solução. Ao resolver um problema, no entanto, o jeitinho sempre cria outro, e muitas vezes, o problema a ser resolvido é, ironicamente, fruto da generalização do próprio jeitinho.


O seguinte exemplo nos diz um pouco mais sobre a natureza do “jeitinho”. Trata-se de um casal de amigos que, durante sua viagem por Toronto, decidiu conhecer o Canada’s Wonderland, o maior parque de diversões do Canadá. Há três tipos de ingresso para o parque: regular single day pass – que custa em torno de C$30 e é válido por um só dia;pay one, visit twice pass – que custa em torno de C$40 e é válido por duas visitas; eseason pass – que custa em torno de C$80 e é válido por um número indeterminado de visitas durante toda uma temporada. Claro, ambos os pay one, visit twice pass season pass são válidos apenas para uma pessoa e, portanto, seus portadores não podem emprestar os ingressos para que terceiros possam ir ao parque. Ou pelo menos é isso que eles pensam!


Embora o season pass seja um cartão que inclui nome e foto do portador além de outras informações, o pay one, visit twice pass nada mais é do que um papel que sequer contém o nome da pessoa. Isso permite que este ingresso seja facilmente usado de forma irregular, assim como foi pelos meus amigos que, afim de economizar um trocado, planejaram dividir um pay one, visit twice pass com um outro casal de brasileiros. A ideia, segundo eles, era genial. Um casal compraria dois ingressos de C$40 cada que seriam válidos por duas visitas. Depois de ir ao parque, os dois venderiam os ingressos para o outro casal pela metade do preço. No fim das contas, cada casal economizaria um total de C$20. Mas às custas de quem? O problema é que onde há vantagem, há sempre desvantagem. Neste caso, a maioria diria que foi o parque de diversões que foi desavantajado porque foi ele que arcou com o prejuízo. Mas será mesmo?


O parque, como toda instituição capitalista, visa sempre a repassar o prejuízo àquele que causa o prejuízo. Se os usuários estão fraudando o pay one, visit twice pass, o parque eventualmente aumentará o preço do ingresso ou, pior, o eliminará de vez. O prejuízo assumido pela sociedade – que terá de pagar toda vez que visitar o parque – é, portanto, incomparavelmente maior do que o “lucro” individual de C$10 da pessoa que deu um jeitinho. Coloco “lucro” entre aspas pois, por fazer parte da sociedade, essa pessoa também perde mais do que ganha. Quando esse indivíduo quiser ir ao parque duas vezes ao invés de uma, ele não poderá contar com o pay one, visit twice pass de C$40, já que ele fraudou este serviço e causou prejuízo ao parque. Ele terá de comprar dois regular single day passes por C$30 cada, terá de enfrentar por duas vezes as filas, e assim por diante. Desta forma, podemos observar que com o jeitinho brasileiro, ninguém ganha e todos perdem.


Ao retornar do parque, o casal não poupou elogios, dizendo que era imenso, divertido, e acima de tudo organizado. Elogiaram também o fato de que com o pay one, visit twice pass, uma segunda visita ao parque se torna viável, algo que eles definitivamente fariam se morassem por aqui. Explicaram que no Brasil, eles não costumam ir muito a parques de diversões, já que o preço do ingresso é relativamente caro. “Até nisso o Brasil é atrasado”, disseram. “Por que não temos ingressos promocionais como se tem por aqui?” Ironicamente, a resposta para essa pergunta está na conduta do próprio casal, que com um jeitinho, tirou proveito do sistema que aqui existe. Eles mesmos são os culpados pelo fato de que não há tais ingressos promocionais nos parques brasileiros.


Uma segunda observação, desta vez sobre o Go Transit, sistema de transporte público inter-regional de Ontário, resume bem toda essa história. Um outro casal de brasileiros que também passava o verão em Toronto, não poupou elogios aos trens da empresa, que eram espaçosos, confortáveis, pontuais e práticos. Elogiaram especialmente a ausência de catracas nas estações e sua praticidade. Naturalmente, os dois passaram então a criticar duramente o transporte público no Brasil. Riram ao imaginar como seria a ausência de catracas nas estações. Dos ônibus, trens e metrôs as críticas foram rapidamente direcionadas aos pobres sem instrução e aos governantes do país, afinal, eles certamente são os culpados pela decadente infraestrutura nacional. Mas será mesmo?


O casal então me perguntou como funcionava a compra de passagens para o Go Transit, já que não havia catracas. Fiquei surpreso – pois eles pareciam usar o sistema com certa frequência – e o que o casal revelou em seguida, nos leva às mesmas conclusões do exemplo anterior. Explicaram que, na verdade, eles só usavam o Go Train uma ou duas vezes por semana, e que portanto, não sentiam necessidade de pagar passagem, já que o sistema era obviamente rico e suas passagens não fariam falta. Ao ver meu espanto, tentaram defender sua atitude, dizendo que diferente de mim eles eram meros turistas, e que portanto não deveriam ter que sustentar o sistema público daqui. Esse último argumento eu também não entendi.


Ironicamente, a situação precária do transporte público no Brasil que o casal tanto difamou pode ser atribuído, pelo menos parcialmente, ao comportamento do próprio casal. Isso porque eles mostraram que na ausência de catracas, eles não pagariam a condução, provavelmente tendo como justificativa o aperto, o desconforto e o atraso dos trens. Argumentariam também que pagam impostos e que todo mundo faz. Mas o prejuízo causado pela generalização deste comportamento privaria a sociedade de verba que, presumidamente, seria usada para a melhoria do próprio transporte. Mais uma vez, podemos ver que com o jeitinho brasileiro, até quem ganha perde. Portanto, ao rir de como seria a ausência de catracas nas estações do Brasil, o casal não ria dos mais pobres nem dos governantes como imaginavam. Eles riam deles mesmos.

Apesar de ser predominante em sociedades onde triunfam as nulidades, a desonra e a injustiça – como dizia Ruy Barbosa – países desenvolvidos como o Canadá não estão imunes à proliferação do jeitinho. Basta que parte da população destes países se sinta coagida e injustiçada pelo restante para que eles também escolham agir desta forma. No caso do Canadá, o governo precisa garantir que imigrantes tenham o mesmo tratamento e as mesmas possibilidades que os demais, se não, eles encontrarão alternativas para alcançar suas metas, dando início ao círculo vicioso. Com o tempo, as diversas características que fazem do Canadá um país atraente para se viver seriam tiradas da sociedade não por governantes corruptos, capitalistas ou criminosos, mas pela própria sociedade.

O maior problema deste comportamento é que ele parece ser inerente à nossa sociedade. De ferramenta usada por uma minoria para obter o necessário para sobreviver, o jeitinho se tornou norma de convivência na sociedade. As premissas que garantem a popularidade do jeitinho é que todos procuram levar vantagem em tudo que fazem no seu dia-a-dia, e que portanto, para não ser trapaciado, deve-se fazer o mesmo. Em uma espécie de círculo vicioso, o indivíduo procura sempre fazer algo da maneira que seja mais vantajosa a ele sem consideração à sua própria sociedade. O ator age sem compreender as reais consequências de suas ações e não percebe que faz parte daquilo que considera ser problema. Esta é, inclusive, a melhor forma de descrever o jeitinho brasileiro. É um modo de agir irônico, contraditório e confuso, mas que pode ser eliminado com um pouco de reflexão.

Link do texto no site OITORONTO

17 de agosto de 2011

Trabalho escravo no Brasil

Infelizmente não é novidade e ninguém se assusta ao ouvir dizer que existe trabalho escravo no Brasil. Mas saber que aquela marca chique que você costuma comprar também se utiliza desse tipo de mão-de-obra nos insere no mecanismo de colaboração para que essa máquina continue funcionando. Qual a resposta? Boicotar a marca? Mas qual grande rede não funciona da mesma forma? Deixar de lado então?

Ontem o programa da rede Band, A Liga exibiu a denúncia sobre uma grande rede de lojas de roupas, a Zara. Esse assunto está dando o que falar no Twitter. Segue o vídeo com o episódio:








Leia mais a respeito no Blog do Sakamoto:
Flagrantes mostram roupas da Zara sendo fabricadas por escravos

15 de agosto de 2011

Novos pais preferem criar filhos nos subúrbios


Extraído do  sire oitoronto. POR FERNANDA THIESEN / EMAIL / WEBSITE / TWITTERFACEBOOK
15 AGO 2011

Jovens imigrantes não precisam pensar duas vezes ao escolher Toronto como a cidade onde irão desembarcar e reconstruir suas vidas. Mas e para casais com filhos, seria Toronto uma boa escolha em longo prazo? Entenda por que para cada pessoa que chega a Toronto, mais de três saem.



Toronto possui a reputação de ser uma cidade bem habitável, mas essa reputação não reflete muito bem a realidade. A ilusão nasceu em 1971, ano em que a cidade eliminou a proposta de construção da Spadina Expressway, uma super auto-estrada no sentido norte-sul que facilitaria a viagem de subúrbios ao centro de Toronto. Essa vitória embutiu nos torontonianos um conjunto de ideias de como a vida na cidade deveria ser.
Os defensores radicais da vida na cidade consideram melhor viver: com pouco espaço, em altos prédios, sem carro, a pé, no transporte público, no tráfego, em parques. Esses são seus valores, e para eles, a vida no subúrbio é praticamente uma forma urbana inferior.
Mas, ainda assim, os subúrbios continuam crescendo. Os subúrbios da era Spadina Expressway: Etobicoke, North York e Scarborough são agora considerados inner suburbs – já absorvidos pela grande cidade –, e os outer suburbs são os mais distantes, como Cobourg, Newmarket, Barrie, Burlington e qualquer outra cidade onde as pessoas possam decidir morar e ainda assim se sustentarem com dinheiro vindo da economia da grande cidade.
Casas maiores e enormes quintais são apenas duas das razões pelas quais torontonianos estão deixando a cidade. Eles também sentem que morar em Toronto esta ficando cada vez menos viável. A evidência disso está no fechamento de escolas, na batalha diária para chegar ao trabalho, nas taxas altas e em crescimento para matricular filhos em um daycare e atividades comunitárias, além de longas filas de espera. A constante discussão da prefeitura sobre quais os próximos serviços a serem cortados, como remoção de neve, manutenção de parques e reciclagem, reforça a impressão de que a qualidade de vida na cidade está caminhando para pior.
No ano passado, a Statistics Canada publicou um estudo mostrando que para cada pessoa que se muda para Toronto, 3.5 pessoas saem da grande cidade. Se não fosse pela constante chegada de pessoas de outras regiões, províncias e países – que é na verdade um influxo de pessoas que não sabem onde estão “amarrando o seu bode” – downtown estaria esvaziando rapidamente.
De acordo com a StatsCan, pessoas com idade entre 25 e 44 anos são as mais passíveis de se mudarem, e entre 2001 e 2006, aproximadamente 95,700 delas realmente saíram da cidade. O perfil de quem escolhe o subúrbio para morar inclui uma renda entre C$70 e C$100 mil anuais (valor líquido), diploma universitário e filhos. O que faz muito sentido. Famílias com esses salários são ricas se não possuem filhos, mas quando a família começa a crescer, viram rapidamente famílias de classe média.
Os jovens que mais se enquadram no estilo de vida torontoniano são os artistas e professores de universidades. Toronto esta realmente perdendo muitos dos jovens profissionais de renda média que são pais.
No entanto, para algumas pessoas, sair da cidade não é tão simples. É preciso combater o pensamento de que ir morar no subúrbio é sinal de derrota. O importante é encarar a mudança como uma desistência feliz, e balançar a bandeira branca para o perpétuo gerenciamento de stress, muito conhecido pelos moradores de grandes cidades, e hipotecas que parecem nunca acabar.
Quando as pessoas começam a flertar com a ideia de sair da cidade, geralmente são motivadas pela matemática da hipoteca. “O quão maior seria nossa casa fora da cidade, pagando o que atualmente estamos pagando por esta casa na cidade?” A resposta é fácil: muito maior.
Por exemplo, uma casa de 121 m² (1300 sq ft) em Riverdale vale hoje em torno de C$663 mil, tendo valorizado aproximadamente C$223 mil nos últimos quatro anos. Em Peterborough é possível comprar uma casa com o dobro do tamanho e o triplo do quintal por C$510 mil. Mudar para o subúrbio é garantia de casa maior e hipoteca mais baixa, além de uma entrada de garagem maior do que o antigo quintal. Mas, em compensação, os imóveis não valorizam muito com o tempo e, se um dia você precisar vender sua casa, receberá praticamente a mesma quantia que pagou ou até menos se não fizer boa manutenção da casa. Por isso muita gente afirma que ir morar no subúrbio é um caminho sem volta. Da mesma forma que sua vida recebe um upgrade ao sair da cidade, o oposto aconteceria se você decidisse voltar, o que a maioria das pessoas não está disposta a enfrentar.
doutrina downtown prega que densidade demográfica é algo bom, ter muitos vizinhos é legal, espaço é para ser compartilhado e que tudo bem pagar estacionamento extra para deixar o carro dormir na rua há três quarteirões da sua casa durante um inverno com dias chegam a fazer -30º. Parece que a doutrina é realmente verdadeira, afinal os preços dos imóveis em Toronto estão cada vez mais exorbitantes.
O alto preço dos imóveis não está relacionado apenas à compra de espaço, mas também à compra de tempo. Proximidade significa viagens mais curtas, o que significa mais tempo para fazer outras coisas. Mas Toronto não é uma boa cidade para dirigir, e o tempo perdido por motoristas no tráfego da cidade é um dos piores da América do Norte.
Portanto, muitas vezes morar distante do centro da cidade não significa necessariamente passar mais tempo no trânsito, e mesmo que isso aconteça, a viagem possui um nível de stress muito menor, incomparável ao de dirigir dentro da cidade. Morar no subúrbio e trabalhar na cidade significa dirigir quase o mesmo tempo para chegar ao trabalho, porem percorrendo uma distância muito maior, aproveitando uma paisagem agradável, o que torna a viagem bem mais tolerável.
Outra opção para quem decide morar afastado de Toronto é viajar pelo Via Rail, o que é bem diferente de encarar o TTC (transporte público de Toronto) lotado diariamente. Viajar de trem é uma outra experiência, e apesar de levar mais tempo, as pessoas passam a se conhecer com o tempo, fazem novos amigos, conversam tomando um vinho, e até participam de festinhas no próprio trem. Essa vivência nem se compara a pegar umstreetcar engarrafado (que eventualmente ainda pode mudar de rota), enquanto cada um permanece dentro da sua própria bolha e ninguém se olha direito.
Viajar de trem permite que você chegue relaxado em casa, e se os seus horários de trabalho forem flexíveis, poderá negociar alguns dias produzindo de casa.
Por outro lado, existem coisas que a grande cidade pode oferecer que nenhum subúrbio consegue. Umas das principais é a variedade de restaurantes. Mesmo que você passeie pelas pequenas cidades ao redor da sua, chega uma hora em que você já experimentou todas as opções.
Mas a principal oferta da grande cidade parece ser mesmo a anonimidade. Fora de Toronto todo mundo sabe quem você é, o que anda fazendo e planejando, e nunca acham que você está muito ocupado para recebê-los. Seus vizinhos irão bater na sua porta a qualquer momento, e esperam ser convidados para entrar. Faz parte da cultura.
Na grande cidade, todo mundo vive colado. Como resultado, existe uma convenção social em respeito à privacidade das pessoas: não encare, não preste atenção na conversa alheia, não assuma que outras pessoas estão tomando conta de seus filhos.
Em uma pequena cidade com quintais enormes, você já possui toda privacidade de que precisa, então as convenções mudam – você precisa dar alô a todos, perguntar sobre suas famílias e amigos, e compartilhar as novidades prontamente.
Viver em Toronto permite que você viva experiências únicas, e provavelmente é o melhor local para encontrar um parceiro, casar e ter filhos, e ser promovido. Mas quando você já conquistou tudo isso, suas necessidades mudam, e Toronto não mais poderá lhe atender. Com o tempo, você provavelmente irá desejar mais espaço pessoal, baixo custo de vida, e uma vida em comunidade ao invés da privacidade. A intensidade e anonimidade da grande cidade provavelmente passarão a dificultar a sua vida mais do que ajudá-la.
Este post foi escrito com base na matéria Exodus to the burbs, da edição de setembro/2011 da revista Toronto Life.

24 de junho de 2011

O que queremos na vida pode mudar

O audio está em espanhol mas dá para entender bem. Trata-se do diário de um imigrante e como as opiniões dele a respeito do Canadá mudam conforme to tempo passa.



7 de abril de 2011

Dificuldade para conciliar trabalho e maternidade no Canadá

Reportagem da RCI, por Cristiane Hirata, 31 março 2011, 18h58

As dúvidas e angústias das mães que acabaram de ter um filho e desejam reintegrar o mercado de trabalho começam muito antes, quando se aproxima o fim da licença maternidade.

É nesta hora que muitas mulheres passam a se questionar como conseguirão exercer bem o papel de mãe e profissional competente.

Esta foi a experiência vivida pela documentarista e pesquisadora Marie-Pierre Duval.

Um ano após o nascimento de seu filho, Marie-Pierre sentiu na pele o quanto é difícil ser ao mesmo tempo mãe e profissional.

Foi a partir desta constatação que ela decidiu produzir o documentário “Bébé ou CV?”.

Seu filme aborda o percurso de várias mães canadenses que abriram mão de uma carreira bem-sucedida e hoje se dedicam exclusivamente à educação dos filhos.

A colaboradora Cristiane Hirata conta mais detalhes sobre este descompasso entre o desejo de ser mãe e profissional.

Para ouvir a reportagem clique aqui

.

8 de março de 2011

Society

Música tema do filme "Into the wild" (Na natureza selvagem). O filmeé maravilhoso, recomendo. Mas a música do Eddie Vedder também traz ua ótima reflexão. Enjoy!

17 de janeiro de 2011

A mulher canadense


A mulher tem uma longa história de ativo desenvolvimento em todos os aspectos da vida canadense. Em 1918, depois de muita luta, elas conquistaram o direito de votar em eleições federais. Em 1929, ajudaram a derrubar uma antiga decisão judicial que as impedia de assumir cargos no Senado, uma vez que, pela lei, mulheres não eram consideradas "pessoas".

Têm havido mudanças notáveis na sociedade e na vida das canadenses desde então. Em 1929, menos de 41% das mulheres trabalhavam fora; em 1991, 60% delas estavam no mercado de trabalho. A tendência por si só significou mudanças consideráveis na vida familiar.

A mulher e a família

Os últimos 25 anos têm assistido o fim da família "tradicional", com o pai sendo o único provedor da renda familiar e a mãe dona-de-casa, cuidando dos filhos e sendo a única responsável pelo trabalho doméstico. Em 1992, somente 16% das famílias ainda seguiam esse antigo padrão. Enquanto o tipo da família predominante hoje é o casal duplamente provedor de renda, com ou sem filhos, sendo que 16% das famílias são chefiadas por uma mulher sozinha (divorciada, viúva ou solteira).

Talvez a mudança mais notável dos últimos anos tenha sido o número crescente de mães de crianças pequenas que trabalham fora. Sessenta e nove por cento das mulheres casadas, com filhos abaixo dos 6 anos de idade, trabalham fora, enquanto 47% das mulheres sozinhas e com filhos pequenos estão na mesma situação.

Não é de se surpreender que estas rápidas mudanças na família puseram o foco de atenção sobre os cuidados com as crianças e o equilíbrio entre o trabalho e as responsabilidades familiares. Estima-se que 60% das famílias com filhos abaixo dos 13 anos de idade necessitem de cuidados adicionais para com os filhos enquanto os pais estão trabalhando. O governo federal proporciona cerca de $ 1 bilhão por ano no auxílio aos cuidados das crianças, através de deduções de impostos e subsídios.

Todas as jurisdições do Canadá dão às mulheres o direito estatutário da licença maternidade sem perdas, geralmente por um período de 17 semanas. Um período adicional de licença de 24 semanas, que pode ser tirado tanto pelo pai quanto pela mãe, é disponível a certos trabalhadores, em especial de serviços públicos federais, bancos e companhias de transporte e comunicação.

Enquanto estes direitos compreendem licenças não-remuneradas, o Programa de Seguro-Desemprego proporciona 15 semanas de benefício-maternidade para as mulheres e 10 semanas de benefícios para os pais de crianças naturais ou adotivas.

As mulheres e a economia

Hoje, as mulheres são responsáveis por 45% da mão-de-obra do país, contra 36%, em 1975. Na verdade, as mulheres são responsáveis por quase três quartos de todo o aumento de empregos entre 1975 e 1991. Entretanto, a mulher continua exercendo ocupações de baixos salários, sempre rotuladas de "trabalho de mulher" - trabalho de escritório, vendas, serviços, ensino e enfermagem. Por outro lado, o número de mulheres empregadas em seus próprios negócios aumentou 172% desde 1975. As mulheres, hoje, formam 30% dos autônomos do Canadá.

Ainda persiste a diferença de salários entre homens e mulheres. Em 1993, as mulheres que trabalharam em período integral, durante o ano todo, ganharam em média 72% do salário dos homens. Leis para isonomia salarial para trabalhos de igual valor têm sido levadas a nível federal por mais de uma década e várias províncias têm tentado integrar a legislação de isonomia salarial às suas jurisdições, às quais a maioria dos trabalhadores canadenses estão subordinados. As leis baseiam-se na avaliação dos trabalhos e levam em consideração os conhecimentos, esforços e responsabilidades exigidas para se executar um trabalho, assim como as condições sob as quais o trabalho é executado.

Os empregadores com mais de 100 funcionários e os que querem fazer negócios com o governo federal também ficam subordinados a um programa de igualdade de empregos. Os empregadores têm de se reportar anualmente a respeito dos seus progressos na integração de mulheres e outros grupos dentro do trabalho.

Cerca de um quarto das mulheres trabalham meio-expediente e esta percentagem não tem mudado muito nos últimos dez anos. Esta situação reflete uma tendência crescente em direção ao trabalho de meio-expediente na economia canadense, em especial no setor de serviços, onde trabalha a maioria das mulheres.

No Canadá, como em todos os lugares, cada vez mais o fenômeno da "feminização da pobreza" afeta particularmente as mães sozinhas e seus filhos, assim como as mulheres idosas. As mulheres que chefiam a família sozinhas, hoje, são as mais pobres dentre os pobres: quase 62% das famílias que vivem na pobreza são chefiadas por mulheres sós.

Enquanto os índices de pobreza entre as mulheres idosas têm decrescido graças aos programas do governo, tais como o Seguro à Terceira Idade e o Renda Suplementar Garantida, as idosas, em especial aquelas que nunca trabalharam fora, ainda encontram-se em desvantagem.

Uma das soluções para a igualdade econômica feminina é o acesso cada vez maior das mulheres e das jovens à educação e às oportunidades de treinamento. Quarenta por cento das mulheres entre 15 e 40 anos têm diploma escolar ou algo melhor. Mais de 10% das mulheres têm grau universitário. As mulheres representam mais de 53% dos alunos não graduados das universidades canadenses. Os governos federal, provincial e territorial têm trabalhado em conjunto de modo a eliminarem a estereotipagem sexual nos currículos escolares, livros escolares e aconselhamento profissional. Também encorajam uma maior participação feminina nas áreas de matemática, ciências e tecnologia.

A mulher e o governo

Desde 1985, a Carta de Direitos e Liberdades, parte da Constituição do Canadá, tem garantido direitos iguais a homens e mulheres, assim como medidas especiais para corrigir antigas discriminações sexuais. A discriminação também é proibida nos atos de direitos humanos do governo federal e das 10 províncias.

O governo federal, as 10 províncias e os 2 territórios, cada um tem um ministro de gabinete responsável pela condição das mulheres e pela manutenção dos cargos das mulheres no serviço público. A maioria das jurisdições também têm conselhos consultivos. Há uma cooperação contínua entre os diferentes níveis do governo.

O Canadá também está comprometido em vários acordos internacionais, especialmente na Convenção das Nações Unidas para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminção contra as Mulheres (1985) e no Estratégias Futuras de Nairobi. A igualdade sexual também tem sido buscada com outras organizações internacionais, tais como a Comunidade Britânica e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

As mulheres, cada vez mais, têm se tornado ativas em todos os níveis da política. Em junho de 1993, a Sra. Kim Campbell tornou-se a primeira Primeira Ministra do Canadá. Mais tarde, no mesmo ano, 53 mulheres foram eleitas para ocupar os 295 lugares da Câmara dos Comuns - o número mais alto da história do país. As mulheres também são líderes de partidos políticos, premiês e membros dos governos provinciais e territoriais. Elas têm ampla representação em nível municipal sobre os conselhos das cidades e conselhos escolares.

As mulheres ativistas

A conquista dos direitos políticos básicos na primeira parte deste século preparou o campo para o movimento feminino muito maior e mais organizado dos dias de hoje. Nos anos 60, as mulheres e suas organizações convenceram o governo a estabelecer a Comissão Real sobre a Condição da Mulher. Publicado em 1970, o relatório da Comissão, que foi um marco histórico, era um projeto de política e legislação a fim de assegurar a igualdade da mulher.

O Comitê de Ação Nacional, organização não-governamental, foi originalmente estabelecido de modo a assegurar que as recomendações da Comissão Real fossem implementadas. Hoje, ele age como uma organização abrangente para mais de 560 grupos representando mais de 3 milhões de mulheres. Há quase 70 organizações nacionais femininas no Canadá e centenas de grupos provinciais, regionais e locais.

Uma participação crescente

Progressos foram feitos, mas a verdadeira igualdade ainda tem de ser conquistada. As políticas para ajudar mulheres e homens a conciliar seus empregos à responsabilidades familiares e medidas que tratem das necessidades das famílias chefiadas por mulheres sozinhas, a violência contra as mulheres e crianças são questões prioritárias. Para as mulheres canadenses, a próxima tarefa é bem clara: prosseguir com as mudanças e assegurar que aqueles que elaboram políticas em todos os níveis mantenham seus esforços no sentido de melhorar a situação das mulheres, tanto em nível nacional quanto internacional.

6 de janeiro de 2011

Mais do que um simples nome

Post extraído do site OiToronto, por Martha Lins, 05/01/2011

Governo de Ontário revela os nomes de bebês mais registrados no ano passado. Brasileiros preferem nomes que possam ser pronunciados facilmente tanto no Brasil quanto no Canadá.


Essa fofura é a Alicia

Alguns dos nomes femininos mais populares em 2010 podem ser falados tanto em inglês como em português, sem alteração na pronúncia. Olivia foi o favorito das mamães e papais. Em segundo lugar ficou Emma, depois Eva, Emily e Isabella na quinta colocação.

A filha da brasileira Sandra Ruysam, que nasceu no dia 23 de novembro de 2010, quase recebeu o nome de Bella. “Acho lindo, adoro o nome Isabela, mas como já tenho uma prima e a filha de uma amiga com esse nome, daí pensamos em Bella, mas todo mundo perguntava se era por conta do filme “Twilight”, logo meu marido e eu desistimos. Depois fiquei em dúvida entre Alicia, um nome que acho meigo, ou Melissa, mas vi que este último estava muito na moda, já que conheço umas duas Melissas que nasceram só este ano (2010). Então acabei optando por Alicia, que foi o nome de uma aluna a quem ensinei português aqui, acho lindo, bem diferente, e mesmo assim fica fácil de se falar tanto em português quanto em inglês”, explica.

Já a desenhista gráfica, Ana Negretto escolheu para a filha que nasceu em abril o nome mais comum em Ontário, Olivia. “Eu não sabia que era um nome tão popular assim. Na verdade, quando fiquei grávida pela primeira vez, há quatro anos, tinha escolhido Olivia, caso fosse menina, mas acabou nascendo Thomas. Eu gosto muito desse nome, conheço apenas uma Olivia, que estuda com meu filho. Depois que minha filha nasceu foi que eu conheci outras três Olivias”, comenta bem-humorada. “Mas eu não me incomodo nem um pouco, o mais importante era que o nome fosse comum tanto para o Canadá, quanto para o Brasil, já que minha família é de lá e nós sempre viajamos”, finaliza.

E os meninos?

Já no ranking masculino, Ethan foi o mais registrado, seguido por Jacob, Matthew, Nathan e Joshua.

O casal Luciana e Moacir Mendonça não optou por Matthew por achar que o nome seria muito difícil de se pronunciar em português. ” Eu gosto muito de Mateus”, conta ela, “mas como seria complicado de ser pronunciado pelos canadenses, decidimos por Lucas. Tivemos o cuidado de também levar em consideração o sobrenome, imagine só Ethan Mendonca, e digo “ca” mesmo, já que aqui não se fala o cedilha? Não iria dar certo, além de que toda vez que fôssemos ao Rio de Janeiro seria muito difícil de apresentá-lo, aos amigos”, analisa. “Não gosto de Ethan ou Nathan por serem muito americanizados. Já Lucas é Lucas em vários cantos do mundo, tanto na Europa, quanto na Austrália”, completa.

Por aqui já nos preocupamos em como o nome do nosso bebe soará ao chegar no Canadá. Apesar de achar nomes tradicionais brasileiros, como Pedro, João, Antonio, eles tem uma pronúncia difícil para os canadenses. Pensamos nisso, nossa escolha foi Nicholas, nome que mantem a mesma pronúncia tanto no portugues, inglês e frances. Além de acharmos lindo.

E se você tivesse um filho ou filha no Canadá, que nome escolheria para o seu bebê?



14 de dezembro de 2010

Convite Teatro: "Les Trois Soeurs"

“Les trois sœurs” de Tchekov au Brésil !


Dias 17, 18 e 19 de dezembro no SESC-Pinheiros

A premiada companhia de teatro Le Théâtre du Trident, sediada na cidade de Québec, apresentará pela primeira vez em São Paulo a famosa peça “As Três Irmãs” do autor russo Anton Tchekhov, em comemoração aos seus 150 anos de nascimento.

Clique na imagem para ampliar

A peça será apresentada em francês, com legendas em português.

Não perca a oportunidade de prestigiar a cultura do Québec aqui no Brasil!
 
Para mais informações: http://www.sescsp.org.br/