21 de março de 2011

Quando um não quer, dois não imigram?

O que fazer se seu conjuge não está no mesmo barco que você? Pelo menos no barco da imigração?
Sempre soube que o Leonardo nunca foi tão empolgado quanto eu sobre o ir embora desse país. Mas de um tempo para cá vim sentindo a vontade dele diminuir. Ele nunca chegou a dizer "não, eu não quero, não vejo propósito, adoro esse país." Mas me admitiu que está preocupado em deixar a carreira dele para trás. Ele diz sentir pena de partir sem saber se daria certo aqui, ainda mais considerando a economia estando aquecida no campo da construção civil (área com a qual ele trabalha).

O que eu faço? Assumo ter como primeira resposta rápida "vou sem ele" (hehe). Mas não posso deixar de concordar com ele. De fato começamos a ter um retorno profissional esse último ano, e continuamos a crescer. Mas nem por isso eu quero deixar de ir embora. O que é uma vida confortável aqui?

Vou dar-lhe o tempo que está me pedindo, mas vou sim dar entrada no processo. Infelizmente, não no período em que eu planejei. Provavelmente meu filho nascerá antes dos papéis serem enviados. Não sei o quanto poderei me dedicar ao francês depois que ele nascer, mas não desestirei. Já tenho previsão de me matricular num curso regular no semestre que vem.

Vamos ver como as coisas ficam...

ATUALIZADO

Recebi vários comentários, com diferentes pontos de vista a respeito da questão que lancei, alguns a favor de ficar no Brasil, outros defendendo a ida ao Canadá. Como acho sempre importante ouvi os dois lados da questão, recomendo a leitura dos comentários. Agradeço a todos que opinaram.
 
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20 comentários:

Anônimo disse...

Buscar qualidade de vida em um país promissor significa optar pelo Brasil - feche os ouvidos para os chorões, que reclamam de tudo, pois todos países têm defeitos. Como brasileiro morando no Canadá há uma década, o máximo que consegui foi um divórcio - algo comum com casais que vem pra cá. Afinal, mesmo ambos tendo curso superior, é uma luta conseguir um emprego fora da faxina ou da construção. Além disso, raríssimos países superaram a recessão mundial tão bem quanto o Brasil. Em 2011, é hora de pensar muito bem antes de sair do Brasil. E se os dois do casal não estão de corpo e alma no projeto, prontos para enfrentar uma mudança total de vida, deixar para trás família, amigos e conforto (aqui não tem uma praia quente, churrasco e empregada que você possa pagar, por exemplo), logo estará atrás de um advogado.

Juliana disse...

Bom Fê, é complicado!

Acho que isso é algo muito particular que deve ser discutido entre vocês dois como casal...

Mas já dando o meu pitaco... acho que vocês deveriam ponderar nessa conversa não só a carreira de vocês, mas sim os outros motivos que nos levam a imigrar, como qualidade de vida, segurança, etc...

Sim o padrão de vida vai diminuir, pelo menos nos primeiros anos vai, mas será que o que conseguiremos lá não será mais importante? Será que a tranqüilidade e segurança que ofereceremos aos nossos filhos, não compensaria esse passo para trás no âmbito profissional?

Não quero defender nenhum dos dois pontos, nem o de ir pra lá e nem o de ficar no Brasil.... Só digo mais uma vez, que vocês dois, como casal devem discutir e chegar juntos a uma decisão que seja a melhor para a familia de vocês.

Bjs
Juliana
http://www.projetosupernovaquebec.blogspot.com

Família Marcondes disse...

Olá Ju e Anonimo,
agradeço os pontos de vista. É esse o ponto que estamos avaliando. As questões principais são "o que é de fato qualidade de vida?" e "O que é um país promissor?". Segundo dados atuais, promissor é o Brasil e seu crescimento econômico. Ouvi relatos de brasileiros que estão voltando ao Brasil por conta desse aquecimento. O que quero considerar também são os fatores que vão além do econômico como segurança, lazer, saúde.

Ainda pretendemos buscar nosso visto de residentes permanentes, mas ainda não sabemos se iremos mesmo residir lá.

Um abraço,
Fernanda

Filipe Moreira disse...

Olá!

Bom, vocês tem que avaliar duas das coisas que estão basicamente em jogo.

Vocês querem dinheiro ou vocês querem qualidade de vida? Ambas as opções nos dão conforto, em diferentes âmbitos, mas dão.

O que seria mais valioso daqui pra frente pensando na vida e planos de vocês? E do garotão que está por vir, onde ele irá crescer com mais oportunidades e melhor?

Notem que em momento nenhum favoreci qualquer uma das escolhas, vocês que devem definir o que pesa mais.

Já imaginaram que, mesmo que vocês emigrem, passem 1 ano lá e não dê certo, vocês ainda tem o Brasil? E que isso na carreira profissional de vocês pode ser um "UP" ainda maior? E se vocês ficarem, quem disse que não iria dar certo?

São vários "se's", e realmente não vim pra causar confusão. rs..

Pensem com carinho, arriscar nem sempre é a pior opção. As vezes o ganho é iminente. :)

Abraços e torço pela melhor escolha, sobretudo pra vocês!

Filipe Moreira disse...

Mais uma sugestão... rs..

Foquem na opção que escolherem, não considerem as duas ao mesmo tempo ou a cabeça e planos de vocês ficaram lá e aqui sem saber pra onde ir. :)

Abraços!

Alexandre disse...

Oi !
Não concordo com a opinião do Anônimo. Simplemente não conheço nenhum brasileiro que foi parar na faxina ou construção(braçal). Todos que chegam como imigrantes selecionados arrumam trabalho qualificado. Outros casos não conheço.
É verdade que imigrar é o maior desafio que pode ter para um casamento. Se vocês se amam, vão passar por cima de todas as dificuldades e a recompensa virá com certeza.
Ale
http://jarrivequebec.blogspot.com/

Cristina disse...

Olha, aqui no Canada nao é um mar de rosas, a vida é difícil e as pessoas sao sim diferentes em muitos aspectos. A profissao do seu marido aqui é reconhecida, o que quer dizer que ele vai demorar até conseguir entrar no mercado de trabalho, se conseguir. Sinceramente, se eu soubesse o que eu sei hoje da realidade canadense eu nao teria imigrado. E sim, tenho planos de voltar para o Brasil um dia, nem que seja na minha aposentadoria!
Desculpa ser tao franca, mas se vocês estao bem no Brasil nao vejo porque se mudarem pra cá e começarem tudo do zero outra vez.

Doppelgänger disse...

Fernanda:

Eu passei por uma situação semelhante. A minha esposa não queria ir de jeito nenhum. A diferença é que ela não trabalhava e eu é quem estava disposto a sair, apesar do meu emprego.
A minha sugestão é a de que voces tirem o visto anyway. Depois que tirarem o visto, ainda terão 1 ano para fazer o landing e mais 3 anos para voces entrarem no Canadá para não perderem o status de permanent resident (tem que ficar no Canadá no mínimo 2 anos em 5, senão perde). O importante é ter a opção lá na frente para pode escolher se vão ou não.
Outro ponto é que o tempo do processo, que apesar de longo, cruel, etc, na verdade ajuda a amadurecer as idéias. A vida dá muitas voltas e hoje depois de 3 anos de processo, é minha esposa a mais animada para ir.
Outro fator que ajudou minha esposa mudar de ideia foi em relação ao futuro de nossos filhos. Futuro esse em que eles poderão aprender uma outra língua, viver em uma outra cultura e poder desfrutar de segurança e estabilidade para crescer.
Do meu lado, a minha motivação para mudar está em meu primeiro post no meu blog. Especificamente não concordo que o Brasil seja o país do futuro sem um plano e investimento adequados em educação. A minha geração não verá nenhum benefício concreto. Quiçá a geração dos meus filhos. Por isso vou embora.
Uma coisa a ser considerada no caso do seu marido é o reconhecimento do diploma do seu marido no Canadá, já que a profissão dele lá é regulamentada.
O mais importante de tudo é conversar muito com seu companheiro, num ambiente de cooperação e respeito.

Um grande abraço e força na jornada.

der doppelgänger

http://canadasaga.blogspot.com

Lu disse...

Ola Fernanda,

Concordo com o Filipe Moreira.

Eu e meu marido estamos morando em Montréal ha 10 meses e somente neste tempinho jah sabemos que o saldo é bem positivo. Meu marido é arquiteto e conseguiu trabalho na sua area 3 meses depois que chegamos. Ele trabalha como técnico por enqto, ganhando um salario que dah pra manter a casa e ainda sobra um pouco. Eu, como sou da area de mkt, preferi voltar aos estudos e estou fazendo um certificado de Mkt na univerdade pra melhorar meu francês. Mas enqto isso, trabalho no supermercado meio periodo, mas mesmo sendo um trab bem abaixo do meu nivel profissional (Diploma de 3o. grau no Brasil), nao me incomodo, pois sei que é temporario e além disso, jah é um otimo tempo onde pratico mtooo o francês, aprendo sobre as relaçoes de trabalho aqui e tenho minha 1a. experiencia aqui pra abrir as portas pra outras. Tinhamos uma boa vida (profissional) no Brasil, mas qdo pensavamos no longo prazo, em ter filhos, a decisao de imigrar ficava cada vez mais forte na nossa cabeça... Seria mto dificil pagar uma escola particular pro filho, fazer viagens, comprar coisas e etc... Aqui isso fica bem mais facil qdo vc ve que educaçao, saude sao gratuitos.

Nao to querendo convencer vcs a imigrarem, soh estou contando o meu caso pra vcs tb terem um exemplo de um casal q esta dando certo. Jah conquistamos mtas coisas aqui em somente 10 meses, o q nos deixa mto realizados...

Vcs tem que ponderar o q é qualidade de vida pra vcs e quais sao as suas prioridades... Mas pensem que imigraçao é um processo de longo prazo. vcs colherao os frutos depois de um tempo e nao assim q chegarem. Sim, o nivel de vida cai um pouco no começo, mas o importante é vcs saberem lidar com isso, jah virem com isso na cabeça. O q vai motivar vcs a continuarem aqui ou nao, é mto da vontade de ficar ou de voltar pro Brasil. Tenho amigos q vieram pra ca, mas continuam com a cabeça no Brasil... nao vai dar certo! Se forem vir, tem q vir de corpo e alma.

Espero ter ajudado de alguma forma...

bjs!

antonio disse...

olá, li os comentários, e eu tenho um medo. Aqui no brasil é ruim mas tenho 30 dias de férias e vários feriados pra emendar. Fora isso ganho bem e posso viajar pro mundo inteiro todo ano. Mas mesmo assim, viver aqui é revoltante, me sinto quase como em prisão domiciliar. Enfim, mudar de estilo de vida, começar do zero está me assustando, ainda mais saber que provavel suspender viagens internacionais, folgas de feriados.

O dia a dia é muito pesado pra quem mora no canadá? Sei que o fato de ser um local novo, já vale como viagem, mas depois de um ano, vou querer visitar outros lugares.

Filipe Moreira disse...

Não concordo com o Antonio.

É normal as empresas no Canadá oferecerem 5-10-15 dias a mais dos 15 em lei, fora os feriados que são todos aproveitados da forma que você quiser.

Lógico que também há empresas que só oferecem os 15 dias, e nada mais, mas os relatos são positivos quanto a isto.

Quanto a viajar o mundo todo, ainda é possível sendo canadense, e principalmente pra países onde a moeda é baixa, como o Brasilzão, por exemplo. Nada impede de viajar pra Europa, onde a moeda é alta, ai vai da pessoa. É tudo questão de planejamento, assim como é no Brasil.

De toda forma, o Canadá ta cheeeeeeio de defeitos, e não é um país para ser "rico", vale você definir se quer aceitar estes defeitos ou não. rs..

Abraços!

Apoema disse...

Entendo seu problema, pq acho q em casa quem não fica muito animado em imigrar sou eu, agora isso já deu uma melhorada.
Eu e meu marido temos relativo sucesso financeiro, ele ganha bem, eu tenho um trabalho estável, sem um salário muito bom, mas com diversos benefícios, além de ser praticamente ao lado da minha casa-o q é um milagre em se tratando de SP- e nós mal sabemos o q é ficar desempregado. Então, fica óbvio q nossa opção em imigrar não tem nada a ver com dificuldade financeira, ou insucesso. Claro que não somos absolutamente felizes com o nosso trabalho, principalmente eu, mas são bons empregos, com problemas intrínsecos a eles e às empresas em que trabalhamos, mas nada absurdo, acredito q somos felizardos e abençoados por Deus.
Meu marido é louco para imigrar pq ele acredita no pp taco, economizou para podermos aguentar bem meses desempregados, sonha em fazer algo q o deixe mais feliz e completo e, sobretudo, em morar num país mais digno e sério. Não estamos imigrando pq é moda ou pq eles precisam de nós como mão-de-obra, vamos pq nós precisamos deles, precisamos de um país para construirmos nossa família e criarmos nossos filhos, vamos pq precisamos poder oferecer nossas habilidades em um local onde sejam valorizadas ou, pelo menos, reconhecidas.
Amo intensamente o Brasil e já sofro por tudo q deixarei: família, conforto, salário, plano de saúde, lugares e pessoas que adoro, comida e a familiaridade com tudo.
Vcs só poderão ser felizes e continuarem unidos ao imigrar se o fizerem pelas razões e motivos certos. Será muito difícil, ainda mais com filhos. Talvez meses e meses desempregados e deslocados, porém, podem ser meses em q seus filhos estejam numa escola melhor, mais afastados da violência, mais próximos a vcs, em que o amor, a união e o companheirismo cresçam. Vcs deverão estar de pleno acordo e consciência de tudo isso e muito mais q há.
Só posso desejar muita força e sorte.
Abração!

antonio disse...

ola felipe, obrigado por responder. realmente pouco sei do canadá. Vi que possui blog e é da área de TI.

Tambem sou da área de TI, redes/segurança.

Bem, tenho ambiçoes de fazer uma grana, e como voce disse que o canadá não é para ser rico, o que voce me diz em específico para área de tecnologia ?

obrigado.

antonio disse...

felipe,
sabe se existe o conceito/cultura de emendar feriado?

Juliana disse...

Olá Fernanda, eu já tenho o meu visto e estou esperando o do meu marido sair (Sponsorship process), minha mãe e irmã já estão em Ottawa. Com certeza vocês terão uma queda financeira nos primeiros meses de imigração pois terão que montar uma nova casa. Sugiro que vocês reflitam sobre o que um casal amigo meu está fazendo. Eles combinaram de passar 1 ano em Ottawa (tem um casal pequeno) e vão voltar para o Brasil no meio deste ano. A esposa já me disse que querem voltar para o Canadá, eles vão resolver algumas pendências e ela vai fazer inglês aqui. A qualidade de vida é o ponto principal da questão, além de segurança e oportunidade de viver com outras culturas. Emprego em civil sempre vai ter, mas no Canadá há mais qualidade de vida (independente do salário) e oportunidade para o futuro dos filhos. É pensando neste futuro que eu e meu marido iremos. Abraços,

Anônimo disse...

Bom, sempre acesso o seu blog e até onde eu sei você está lutando muito para realizar o seu sonho de morar no Canadá. Mas concordo com a questão: "O que é qualidade de vida?". Realmente vc acha que não é possível viver com qualidade de vida aqui no Brasil?
De acordo com o site wikipedia, qualidade de vida "é o método usado para medir as condições da vida de um ser humano. Envolve o bem físico, mental, psicológico e emocional, além de relacionamentos sociais, como família e amigos e também a saúde, educação, poder de compra e outras circunstâncias da vida. Não deve ser confundido com padrão de vida, uma medida que quantifica a qualidade e quantidade de bens e serviços disponíveis."
Você já não tem uma família que te apoia, uma profissão, seu marido tem um bom emprego (que está cada vez melhor para ele), condições que com certeza proporcionarão aos seus filhos uma boa educação, sem falar dos seus amigos e suas relações interpessoais? Se vc já tem tudo isso, vc já tem qualidade de vida.
Se vc ainda acha que isso não é qualidade, vc está em busca de dinheiro.
Olha desculpe se escrevi algo que não lhe agradou, mas vc pediu um comentário sobre o seu post. Qualidade de vida, pra mim, é ter uma família unida, um emprego que dê conta de sanar minhas dívidas e ainda trazer lazer, amigos, pessoas em quem confiar.
Lá no Canadá vc vai ter em quem confiar, senão no seu marido? Vai ter amigos?
Se não tiver, vc pode ter todo dinheiro do mundo, comprar o que quiser, dar tudo para os seus filhos e mesmo assim, não terá qualidade de vida.
Oportunidade para ter sucesso somos nós quem fazemos, independente do país em que moramos.

Família Marcondes disse...

Olá, Anonimo. Gostei bastante da sua definição de "qualidade de vida"! E você está certo por dizer que tenho lutado para realizar esse sonho. Não me desagradou em nada o que escreveu, mas acredito que tenha uma certa confusão. Se eu já tivesse "uma família unida, um emprego que dê conta de sanar minhas dívidas e ainda trazer lazer, amigos, pessoas em quem confiar" não me preocuparia tanto. Acontece que para mim, uma família unida depende do quanto eu posso me dedicar a ela. Hoje eu saio de casa às 6h30 da manha e só chego as 18hs (quando não há congestionamento na marginal). Não me sinto feliz por estar perto de ter que deixar um bebe de 5 meses aos cuidados de uma estranha por 12hs, isso para apenas conseguir pagar minhas contas. Sobre as pessoas em que posso confiar. Você consegue andar na rua sem desconfiar de todo mundo? Andar com as portas do carro destravadas? Consegue deixar de agarrar seu filho quando uma pessoa com ar suspeito se aproxima? Não confio em quase ninguem (infelizmente).

E outros aspectos que entram nos quesitos de qualidade de vida?
Saúde. Ja passei 8hs (relatadas no blog) num hospital público para no fim receber soro e Buscopan. A opção é pagar? As minhas experiências com hospitais particulares também não são boas. Hoje mesmo fui atendida pelo convênio em um local sujo que se dizia hospital. Não estou sonhando com hospitais perfeitos no Canadá, sei que la tbm há seus problemas nesse setor.

Segurança. Do que me adianta dinheiro e conforto na minha casa se me sinto um hamster na gaiola. É triste mas ouvi um aluno dizer que o Saci Pererê não conseguiria entrar na casa dele pois tem seguranças em todas as entradas. Na escola onde trabalho, são preciso 3 seguranças para que um aluno entre na escola. Todo esse esforço para evitar sequestros, todos os dias. Essas crianças estão seguras? Isso é qualidade? São privilegiadas? Tenho minhas dúvidas...

Existem outros campos que me fazem perder a esperança, como o desrespeito, a impunidade, a corrupção e outras "virtudes" que parecem intríssecas na nossa cultura de "dar um jeitinho", ou do "cada um por si".

Concordo que se eu tivesse uma vida confortável no Brasil, ficaria. Mas a realidade do nosso país não me conforta, me desanima. Toda a discussão com meu marido é justamente para que ele entenda que o dinheiro não compra tranquilidade, pelo contrário.

Apesar de discordar em parte com vc, agradeço por compartilhar seu ponto de vista.

Abç,
Fernanda

Cândice disse...

Olá Fernanda,
É a primeira vez que entro no seu blog e já me deparo com esse post. Parece coisa de Deus. Há 4 anos eu sonho em ir para o Canadá e meu marido só desconversava. Agora que ele tomou a decisão estou insegura! Estou tentando ser mãe e acho que isso está mudando minha opinião. Penso nas dificuldades de criar um filho longe da família, sem avós, tios e primos e fico angustiada. Venho de uma família grande, onde a casa era sempre movimentada. Me lembro com muito carinho das minhas lembranças da infância e fico me sentindo egoísta por tirar isso do meu filho, sabendo que lá no Canadá só será eu e meu marido. Minha cunhada mora nos EUA e os filhos dela tratam meus sogros como visita; é legal quando estão, mas quando vão embora não fazem a menor falta. Fora a nossa situação financeira que depois de uma estagnada de quase 3 anos voltou a melhorar. A família paterna do meu marido é de São Paulo e eles sempre reclamam da vida daí. Muito estresse devido ao caos que é a cidade e doenças em decorrência disso. Caso seu marido não esteja 100% certo não se desfaça totalmente da sua vida aqui. Muitos falam que assim você não vai tentar porque vai ficar sempre pensando que se não der certo pode voltar, mas é justamente essa segurança que nos conforta. Meu marido fala em fazer um mestrado e eu penso em uma residência. Caso nossa vida não dê certo lá, vamos trazer uma boa bagagem profissional. Desculpe o texto longo!
Tenha paciência com seu marido e siga seu coração. A família vem em primeiro lugar e é nosso bem mais precioso.
Boa sorte!

SonhoComCanada disse...

o que me faz querer ir embora do país, é a questão profissional. Em agosto farei 4 anos de formada (em Hotelaria) e não me sinto, como profissional, valorizada no mercado brasileiro. Essa área paga pouco e as oportunidades são muitas vezes oque você não quer.
Estava trabalhando em um Hotel desde dezeembro. Meu contrato era apenas até o carnaval, mas com chances de efetivar depois. Mas a única proposta que me fizeram foi de ficar como recepcionista e, depois de todas as experiências que tive como recepcionista vi que não é isso que quero para minha vida e, acabei não aceitando. Talvez tenha feito mal em negar, mas isso só o tempo vai me dizer. Eu tenho esperanças que algo melhor vá aparecer.
Nesse hotel que mencionei, trabalhei o verão no setor de almoxarifado e compras.

abraços.
http://meetyoutherecanada.blogspot.com/

Lupatinadora disse...

Oi Fernanda,

Estou meio atrasada na leitura dos blogs.

Concordo com o Der Doppelgänger em gênero, número e grau. E acho melhor a gente se arrepender de algo que fez do que de algo que não fez.

Eu sempre quis morar fora do Brasil (fiz intercâmbio na adolescência para os EUA na fronteira com o Canadá) mas nunca dava certo e sempre esperei cair do céu, nunca realmente corri atrás. Precisamos vir pro Canadá visitar nossos cumpadres para finalmente "cair a ficha" e tomarmos vergonha na cara e encarar a empreitada.

Estamos aqui há quase 8 meses e grande parte das pessoas que conheço são imigrantes - todo mundo pastou um pouco no começo, mas agora está todo mundo melhor do que quando saiu dos seus respectivos países de origem. Eu mesma tive que dar um passo pra trás profissionalmente, mas quando vejo quantos passos pra frente posso dar agora... Isso porque, óbvio, agora que estou empregada os headhunters estão atrás de mim, só essa semana foram 2.

Eu recomendo vocês darem entrada no processo o quanto antes, pois, mesmo o processo de Québec pode mudar as regras, nunca se sabe o dia de amanhã. Como já falaram, depois dos exames vocês têm 1 ano pra fazer o landing e, se quiserem, mais 3 para virem de mala e cuia - até lá a idéia amadurece melhor, vocês estarão mais preparados tanto financeiramente quanto psicologicamente.

Imigração realmente não é pra qualquer um, é um renascimento em vários aspectos. Mas, pra quem encara "com passos firmes de quem sabe onde quer chegar" como diz o nosso colega do outro blog, chega lá sim!

bjo