4 de janeiro de 2011

Em busca da escola perfeita

Não é fácil ser mãe no Brasil, ainda mais se você é formada em Educação e tem expectativas elevadas para a formação de seus filhos.

Desde o ano passado tento encontrar uma escola para o Miguel que se enquadre nas minhas necessidades, ou seja, respeito ao estágio de desenvolvimento que ele se encontra, uma proposta pedagógica que respeite a infancia e o conceito que tenho dela, proximidade de casa ou serviço, e preço acessível. Resumindo: missão impossível!

Não sei onde é pior procurar escolas, perto de casa, onde só existem escolas pequenas, ou perto do meu serviço, onde só existem escolas caríssimas. Mas me dei o trabalho de pesquisar as duas opções. Infelizmente tive uma experiência maravilhosa numa escola que levava o construtivismo à risca, e o Miguel teve a oportunidade de estudar lá nos últimos 6 meses que trabalhei lá. Como nada é perfeito, o salário era baixo nessa escola, e a mensalidade alta. Depois dessa experiência, ficou ainda mais difícil encontrar uma escola que me agrade, pois o modelo que vivi não é comum e/ou barato.

Agora estou trabalhando numa escola mais do que cara. A mensalidade se aproxima a 8 salários mínimos. Irreal para uma recém formada como eu - e para 98% da população brasileira. Mas como empregada, poderia correr atrás de uma bolsa de estudos para meu filho. Pensei sobre isso e ainda não sei se quero ele lá. É uma escola internacional, de modelo britânico, isso significa na prática uma educação infantil rígida e sem muito calor humano. Estranhei muito quando comecei a trabalhar lá, ainda mais que auxilio uma americana que nunca estudou numa escola formal.

Foi nesse momento que percebi o quanto, como brasileiros, somos calorosos. Quando um aluno chora, sentindo falta dos pais (ou babás - mais comum com meus alunos) a professora sequer se dá o trabalho de se aproximar da criança para conversar com ela, comforta-la, trazer para perto do restante do grupo, distraí-la. Ela apenas lembra a criança que a obrigação dela é entrar na sala e pegar o livro. Para não falar do tempo para brincadeiras livres que essas crianças têm - quase inexistente. O importante é produzir!!

Tenho medo do que vou ver no Canadá. Tinha altas expectativas com as escolas montessorianas canadenses, assim como tinha com a escola onde trabalho atualmente. Espero estar enganada ao achar que por serem gringos, o trato com as crianças não será amoroso.

Por aqui, continuo procurando uma boa escola para o Miguel. No ano passado optei pela proximidade de casa, e descobri que a preocupação da escola era alfabetizar crianças de 3 anos. No meu ver isso é absurdo! Então lá vou eu numa nova busca, tentando não machucar muito meu bolso. Devo admitir que as que gostei me assustaram muito!

Quero compartilhar um texto muito bom que nos leva à reflexão sobre o tipo de escola que queremos para nossos filhos.

Que escola você busca para seu filho?
[Texto extraído do blog Ombudsmãe, 7/10/10]

Existem escolas onde Eva aprende a ler vendo a uva. Em outras, Eva caça formigas, faz um formigário, observa, registra e quando vê já está lendo e escrevendo.

Existem escolas onde as crianças aprendem arte pintando figuras xerocadas. Noutras, escovas, vassourinhas e rodinhos viram pincéis que, mergulhados em tinta, cobrem o chão, paredes e tudo o mais que a imaginação, e não o tamanho do papel, mandar.

Existem escolas que dividem as turmas em fortes, médios e sem chance. Noutras, alunos, funcionários e educadores são colocados no mesmo espaço, para mostrar que todos são igualmente importantes e que o calor humano é muito mais gostoso que a frieza da competição.

Tem escolas onde as crianças pesquisam a vida do ilustríssimo Fulano de Tal. Noutras, elas também pesquisam sobre o Profeta Gentileza e aprendem que não adianta ser ilustre se não se sabe ser gentil.

Tem escolas que ensinam a andar na linha pontilhada para despertar a disciplina. Outra botam os pequenos pra andar sobre plástico bolha para despertar os sentidos.

Tem escolas monitoradas por câmera e bedéu. Noutras, olhos surreais de Salvador Dali espiam através dos vitrais de estranhas catedrais de papel.

Tem escolas brancas, limpas e imaculadas. E escolas onde os alunos mergulham sem medo na sopa da vida para descobrir que sem amebas, fungos e bactérias não há digestão. Não há gente. Não há Terra. Não há vida.

Tem escolas onde se aprende que o leite vem da vaca. Noutras, estuda-se a vida do homem do campo, do homem da cidade e que um depende do outro para que o leite que sai da teta da vaca chegue na caixinha de achocolatado.

Tem escolas cheias de certezas absolutas. E outras cuja única certeza é seguir experimentando.

Eu sei que escola quero para meus filhos. E você?
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7 comentários:

Francisco Santos disse...

Nossa! Temos o mesmo dilema. Como isso é difícil! Pensamos muito em uma escola montessoriana para o nosso pequeno! Em São Paulo tem uma que gosto muito que é o Prima.

Família Marcondes disse...

Oi Francisco, pena que essa escola é muito longe de onde estou :(

Ju Chemim Tambosi disse...

oi Fernanda... tenho a mesma preocupação com o meu Miguel! Ele está numa escolinha mto boa em Curitiba, está lá desde 1 ano, ele simplesmente ADORA a escola, todo mundo lá o conhece e sei que ele é mto bem tratado... qq coisa de diferente a dona da escola me chama p/ conversar! Algo bem particular... me preocupo tbém com o dia em que nos mudarmos.
Bjs

Diário Canadá Brasil disse...

Como pedagoga, amei o texto.
Se vcs morassem em Recife, faria questão de ser professora do seu filho, rsrsrs
bjão.

Erica disse...

Olá Fernanda, adorei o seu blog e sempre acompanho seus textos, que por sinal são ótimos! Em um de seus textos vc mencionou que trabalhou na escola Maple Bear, gostaria de saber qual a unidade e o que vc achou da escola. Pois, estou pensando em matricular a minha filha.
Bjs

Fernanda disse...

Oi Erica, infelizmente só posso te responder por aqui, já que não tenho nenhum contato seu.

Mas sobre a Maple Bear, não cheguei a trabalhar lá. Na época que postei a respeito da escola, eu estava em processo de seleção e era para a unidade de Mogi das Cruzes. Mas como fica muito longe de onde moro acabei desistindo da vaga. Trabalho atualmente em escola internacional, mas já trabalhei em escola bilingue (modelo da Maple). A diferença desses dois tipos de escolas, além do tamanho, é o rigor com o uso da segunda língua. Isso pode evidentemente variar de escola para escola, mas as bilingues acabam deixando passar um pouco mais o uso do português no dia-a-dia.

Minha crítica quanto a educação em um outro idioma é sobre a restrição do trabalho com as crianças no sentido cultural. Acho que a cultura brasileira é riquíssima e senti bastante falta de poder trabalhar com ela.

Eu, como futura imigrante, acho interessante meu filho ter a oportunidade de entrar em contato com o idioma do país para qual vamos morar em breve, mas vejo como mais importante o contato dele com a riqueza da cultura do meu país e do nosso idioma, sabendo que ele se identificará mais com a cultura canadense que a nossa.

O que posso te dizer da Maple, é sobre a estrutura física, que é muito boa para a educação infantil. Gostei bastante dos espaços da escola. Agora cabe a você conversar com a escola a respeito da proposta pedagógica.

Um abraço,
Fernanda

Lupatinadora disse...

Oi Fernanda,

Meu marido também é pedagogo, no começo estranhou muitas das coisas das escolas de Ontario que ele têm visto no mestrado aqui. Agora ele já está gostando muito mais do sistema, que por exemplo integra assistentes socias, fono, etc etc na escola, assim a criança com certeza terá apoio/tratamento mesmo que os pais não possam levar. Claro que nem tudo é perfeito, mas ele está muito bem impressionado. Aqui o foco é muito mais em eficiência do que afetividade (para tudo, no trabalho, na escola, universidade) - não é certo nem errado, é só diferente.